Nas últimas semanas, muito tem se discutido sobre o tal “curriculum gamer” e a credibilidade de veículos de comunicação e críticos de jogos, que aparentemente fazem “reviews” e análises sem realmente ter experimentado o jogo como um todo, apenas jogando opiniões sem fundamento nos sites e sendo pagos para falarem besteira sem base nenhuma para sustentar. Mas será que é verdade?

Toda essa polêmica foi levantada pelo canal “Xbox Mil Grau”, que questionou a credibilidade da análise de “Cuphead” feita pela IGN Brasil, na qual, a jornalista em questão, deu uma nota 9 ao jogo, e entre todos os pontos ditos no review, tanto positivos quanto negativos, ela listou um ponto negativo, que posso parafrasear como: “devido a quantidade de coisas na tela, o jogo pode ser um pouco confuso.”. Pouco tempo depois, o canal Xbox Mil Grau, mais especificamente o seu dono, Chief, confronta a jornalista em suas redes sociais, reclamando pela nota atribuída ao jogo, exigindo que ela mostrasse sua gamertag – que é o registro de cada jogador na plataforma Xbox – para servir de confirmação que a jornalista tinha realmente finalizado o jogo.

Infelizmente, ela não quis informar. Algum dos seguidores do canal de Chief encontrou a gamertag da jornalista e publicou um print mostrando que ela não havia iniciado o jogo, o que levou o proprietário do canal a criticar a credibilidade da jornalista, gerando, assim, uma revolta na comunidade. Chief chegou a realizar diversas livestreams acompanhando o caso.

O grande problema com essa investida contra os grandes portais de jogos, foi que ela partiu de um grupo muito parcial da comunidade gamer brasileira, a qual já é conhecida por idolatrar e ser “fanboy” de uma marca em específico, o que infelizmente faz a causa perder a força e a credibilidade, além de saber que todos os esforços foram apenas por que, nos consoles, o jogo é exclusivo da plataforma que eles são fãs.

Então, por mais que eles queiram dar a investida, a credibilidade, a fama que eles têm, destrói completamente o argumento, e tenho a certeza que, se fosse outro jogo de outra plataforma, eles não reclamariam tanto, já que a má reputação trazida por uma análise negativa não os afetaria e só daria mais “munição” para que eles se sentissem superiores.

Além deste grande problema, que vem da credibilidade do canal Xbox Mil Grau, há também os argumentos propostos para que eles confirmassem a veracidade da análise, que se basearia na pontuação e histórico de jogos da gamertag do jornalista em questão, esquecendo que esses profissionais fazem as análises em perfis fornecidos pela empresa, e que esses perfis recebem jogos antecipadamente e ficam sobre o chamado “embargo”.

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Embargo é um acordo feito entre a publicadora do jogo e a empresa que faz a análise para não vazar nenhuma informação sobre o game até uma data estipulada. Temos, como exemplo, vários youtubers que fazem uso deste contrato, como o Zangado e o BRKsEDU, que recebem os jogos de maneira antecipada e apenas publicam o conteúdo referente a eles depois de liberados, o que geralmente acontece na data de lançamento do jogo.

Então, ao liberar as tais gamertags da empresa, eles estariam quebrando este contrato e, no pior caso, suscetíveis a processos. Então não é possível que a empresa libere o jogo, além de que os perfis pessoais de cada jornalista podem ser públicos ou não, dependendo do próprio profissional, já que é ele quem toma as decisões sobre a sua privacidade.

Outro ponto levantado pelo canal é que há a exigência de um “curriculum gamer”, no qual teria de constar todos os games já finalizados ou não pelo profissional e que, para ser um jornalista de jogos, você teria de apresentar esse “documento”, o que não faz o menor sentido, apesar de hoje ser possível o acesso à biblioteca de jogos que alguém já jogou ou está jogando.

Não há como saber daqueles que as pessoas tiveram acesso de outras formas antes da invenção de ferramentas como a gamertag, perfis da Steam ou PSN, além de que há plataformas que não guardam essas estatísticas, tais como o GOG, mais ainda que vários perfis com conquistas e pontuações altas podem ser vendidos online, em sites como o eBay e o Mercado Livre.

Eu não sou um “partidarista” de qualquer plataforma, sou apenas alguém que gosta muito do mundo dos videogames e que, infelizmente, não tenho como confirmar a veracidade de uma análise dessa forma. Mas não precisamos de “documentos” que deem credibilidade a ela. Precisamos apenas ler e identificar quais são fabricadas ou não, principalmente através de pesquisa para procurar saber quais outras análises o jornalista fez e se há análises de outros sites que estão muito semelhantes.

Então, apesar da intenção final ter um viés crítico e correto, os meios exigidos são completamente irreais e impossíveis de serem completados por empresas, mas são possíveis de ser feitos por pessoas normais, que não têm problema em serem “vigiadas”, já que não estão vinculadas a contratos que disciplinam acerca da publicação de informações e opiniões referentes ao jogo.

Temos sim de criticar a mídia já estabelecida e saber de sua credibilidade, mas há vários meios que podemos fazer isso e com argumentos muito melhores embasados do que os indicados pelo canal dessa comunidade. Por fim, podemos sim aplaudir a intenção final do Xbox Mil Grau, mas como diz a sabedoria popular: “o inferno está cheio de boas intenções”.

Concorda comigo? Não? Os comentários estão aí para a discussão!

 

ESTE É UM ARTIGO DE OPINIÃO QUE REFLETE APENAS O PENSAMENTO DE SEU AUTOR, E NÃO DESTE PORTAL.

  • Mauricio Patricio Jr

    Gostaria de discordar em dois pontos: Primeiro é que não vejo como a divulgação das gamertags usadas durante a avaliação do jogo seria prejudicial, pois todos sabemos que youtubers recebem acesso antecipado aos jogos. Segundo é que embora a XMG exagere mesmo, quando um formador de opinião com milhares de seguidores faz um parecer sobre um produto, as pessoas dão credibilidade, sendo assim, isso leva à compra ou não do dito produto, por isso questionar a validade da review é necessário.

    • Victor Francesco

      A divulgação da gamertag não é prejudicial, mas é uma simples questão de lógica. Vamos lá: o cara faz todo um vitimismo em seu canal dizendo que o XBOX One é prejudicado, que o PS4 é exaltado, dizendo que é uma espécie de perseguição. Então ele decide fazer o que? Uma perseguição inversa. Tendo a gamertag do jornalista ou veículo, ele se sente numa posição de poder, como um fiscal, coisa que ele não é. Os veículos que está ai hoje possuem uma credibilidade que foi colhida com o passar dos anos. Se você não gostou da nota de um jogo, você vai dizer que o cara não jogou? Vai dizer que o cara não tem credibilidade para fazer reviews? Isso não faz sentido. Se você não gostou de como a pessoa abordou o jogo, vá para outro veículo. Não achou nenhum veículo BR que a review lhe agradou? Vai pra gringa. Não achou na gringa também? Pode ser que o jogo não seja para outras pessoas o que foi para você, bem simples. A opinião mais importante para um gamer sobre um jogo é a do próprio gamer. A review é como um direcionamento para quem tem o interesse ou não de comprar ou possui curiosidade sobre o game. Com esta deixa vamos para a segunda parte.
      Os sites de games não vendem nem são pagos (em sua maioria, principalmente se possui ética) para falar bem de um produto, então se um review foi muito bem, é porque a pessoa que escreveu o texto gostou do jogo e recomenda para outros. Se escreveu mal, é porque não gostou do jogo e não recomenda para outros. Ele fica com essa mania de perseguição de que a Sony paga as mídias para falar mal das rivais e isso é uma completa babaquice. Os grandes veículos de mídia são empresas sérias que contratam pessoas com a capacidade de exercer seu trabalho da melhor forma possível, com a melhor qualidade possível e seguindo as éticas e morais jornalisticas.
      Não estou dizendo que a mídia é intocável, perfeita e essas porcarias que ele diz, mas que os ataques dele não fazem sentido algum.

      • Mauricio Patricio Jr

        Longe de mim defender XGM, mas há sim parcialidade de parcela da mídia em relação a Xbox, basta ver por exemplo a cisma em relação às pilhas no controle, o papo de que poder não importa mais, depois de reclamar por um bom tempo dos jogos em 900p, os vídeos da Digital Foundry procurando cabelo em ovo pra dizer que o One X não é tão melhor que o Pro, etc. Não há como negar que pessoas na imprensa que gostam da Sony tentam empurrar seu gosto como se fosse a verdade absoluta.

        • Victor Francesco

          Saímos de uma geração que estava em quase seu oitavo ano, onde o poder de fogo não era mais suficiente para grandes jogos como GTA V, então claro que o importante era poder. Agora, na metade da geração, o mais importante não é o poder mas sim a beleza. É só ver o que a Nintendo fez com o Super Mario Odyssey, onde ela não precisou de um console super potente para fazer um jogo maravilhoso. Poder é importante sim, mas não tanto na atualidade. Ainda é possível fazer coisas incríveis com o que o Xbox One e o PS4 em suas versões originais oferecem. Quando partirmos para a próxima geração, aí o poder vai voltar a ser o mais importante.
          Sobre a questão da pilha, é bom das para os usuários opções, mas para você não utilizar pilha é necessário pagar, comprando o kit. Ou seja, a opção que a Microsoft te dá é onde gastar seu dinheiro: no kit ou em pilhas. Isso não é nem um pouco prático.