O Google divulgou um castigo bastante rígido para Logan Paul, que limitará seu poder de rentabilidade e sua visibilidade no YouTube após postar um vídeo controverso em que mostra uma vítima de suicídio na floresta japonesa Aokigahara, onde dezenas de corpos são descobertos todos os anos.

A estrela do YouTube foi abandonada pelo Google Preferred, um programa de publicidade especial que conecta os principais canais da plataforma com anunciantes de marcas, e foi cortado do “Foursome” (Quarteto), uma série original do YouTube Red, serviço de assinatura premium de conteúdo da plataforma. O YouTube diz que também arquivou o papel de Logan em um próximo filme original do YouTube Red em que a celebridade da Internet deveria aparecer, “The Thinning: New World Order” (O Abate: Nova Ordem Mundial).

Logan Paul é punido por vídeo de suicídio: programas cancelados e apoio perdido
Logan Paul foi cortado de 2 shows e perdeu apoio do Google Preferred

A reação do público e da mídia sobre o vídeo que mostrou um corpo morto pendurado em uma árvore no que se conhece como “floresta suicida”, levantou questões sobre a abordagem deveras tolerante do YouTube para com os vídeos carregados em seu próprio serviço. O caso também abalou o pequeno império digital de Paul, que tem apenas 22 anos, império da qual ele criou com suas investidas diárias em vídeos assistidos por milhões de seguidores, muitos deles adolescentes e crianças.

O vídeo de suicídio, que o YouTube finalmente admitiu que violou suas diretrizes da comunidade, teve milhões de visualizações antes de Logan tirá-lo do ar. E mais alguns milhões assistiram ao seu vídeo de desculpas, que pode ser visto abaixo.

Lisa Flowers, uma mãe de 53 anos e estrategista de mídia social e profissional de marketing e relações públicas em Alexandria, Virginia, diz que Paul deve ser responsabilizado por suas ações:

“Enquanto os pais têm a responsabilidade de cuidar de seus filhos, não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Logan Paul está tendo milhões de visualizações vindas de crianças em seu canal no YouTube.”

Inicialmente, o YouTube emitiu um strike por violação de diretrizes da comunidade contra Paul. Três strikes em um período de seis meses resultam em suspensão da conta no YouTube. Porém, a plataforma também foi criticada por não encontrar uma punição mais rápida e mais séria, já que demoraram-se quase 10 dias até algo ser dito pela equipe do site. Abaixo, você confere os tweets que quebraram o silêncio do YouTube sobre o caso nesta última semana.

Traduzindo, o serviço de compartilhamento de vídeos declarou o seguinte: “Uma carta aberta à nossa comunidade: muitos de vocês estão frustrados com nossa falta de comunicação recentemente. Você tem razão em estar. Você merece saber o que está acontecendo.

Como muitos, ficamos chateados com o vídeo [de Logan Paul] que foi compartilhado na semana passada. Suicídio não é piada, nem deve ser uma força motriz para visualizações.

Como Anna Akana colocou perfeitamente: “Esse corpo era uma pessoa que alguém amava. Você não caminha em uma floresta suicida com uma câmera e reivindica conscientização de saúde mental”.

Esperamos mais dos criadores que criam sua comunidade no YouTube, e estamos certos que você também espera. O canal violou as nossas diretrizes da comunidade, agimos de acordo, e estamos buscando novas consequências.

Nos demorou muito para responder, mas ouvimos tudo o que vocês têm dito. Sabemos que as ações de um criador podem afetar toda a comunidade, então teremos mais para compartilhar em breve sobre as etapas que estamos tomando para garantir que um vídeo como este nunca mais circule novamente.”

Logan Paul é punido por vídeo de suicídio: programas cancelados e apoio perdido
Logan Paul, 22 anos, foi punido de forma tardia, porém severa, pelo YouTube

Vale lembrar ainda a situação que ocorreu ano passado com Felix Kjellberg, um vlogger – e antigamente gamer – sueco conhecido como PewDiePie, que tem quase 59 milhões de inscritos e é muito popular entre os jovens, e que teve sua série original no YouTube Red “Scare PewDiePie” (Assuste PewDiePie) cancelada após o Wall Street Journal ter relatado vídeos com linguagem racista e anti semita, mesmo que comprovadamente muitas das evidências foram retiradas fora de contexto.

O caso envolvendo Felix gerou uma guerra dos Youtubers contra a mídia tradicional e eventualmente foi uma das causas do Adpocalipse, como ficou conhecido o fenômeno onde diversas marcas deixaram de anunciar na plataforma com medo de suas imagens serem associadas a vídeos com temática polêmica ou de qualidade e índole duvidosas. Na época o YouTube também removeu PewDiePie do Google Preferred.